quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Alma caipira

  Estou cansada do ritmo frenético da cidade grande, quero paz e sossego. Ter o ritmo das coisas ditada pelo cantar dos pássaros e pelo tempo das chuvas, acompanhado do cozido preparado no fogão à lenha. O cheiro do canteiro de ervas no toque das gotas dágua, dispensando os perfumes de grife, o bordado como hobe, a sala aberta as visitas e o café em bule esmaltado, azulejos antigos, um chafariz, o paiol. Quem não sabe o que é isto ou não viveu por um só momento numa pousada, arrisco dizer que perdeu um pouco da vida, seu lado bom e humano. A cura brotando na mata, na forma de boldo, sálvia, bardana, dente de leão, picão e muitas outras. Sou uma mulher de muitos amores, amo os ipês, as bromélias, amo também caminhar, não como forma de exercício para o corpo mas para a alma, levando-a para passear entre arvores, passaros, com novas idéias. Amo tomar banho, de cachoeira, escutar o vento, o cheiro de eucalipto, dormir com as galinhas e acordar com o galo e se perder o sono ficar escutando a hora do fazendeiro no rádio, nada de televisão vivendo a vida como se eu não existisse. Pena que tudo isto tem fim....

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